Diário de Bordo #02: Diversão Offline, Motocamping e perrengues
- garagisaloon
- há 1 dia
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Belo Horizonte/ MG ~ São Paulo/SP
(passando por Campinas/ Bragança Pta e Varginha)

A viagem começa no dia 6 de julho, às 07h da manhã, deixando o QG em Belo Horizonte rumo a São Paulo. O objetivo principal era participar do Diversão Offline, mas o roteiro ainda passaria por Campinas, Bragança Paulista e terminaria em Varginha antes de voltar para casa. O inverno mineiro colaborou. O céu estava limpo, o ar seco e a Fernão Dias (BR-381) parecia convidar qualquer motoqueiro a seguir viagem. Sabia que São Paulo me receberia com um clima mais frio e úmido, mas até lá o percurso seria tranquilo.
Antes de partir, Marruá recebeu aquele cuidado que toda grande viagem merece.
Troca de óleo, freios revisados, pastilha dianteira nova, lona traseira substituída, corrente limpa, esticada e lubrificada, além dos pneus calibrados. Tudo pronto para enfrentar uma semana carregando muito mais do que o habitual.
As produções da Garagi Saloon ocupavam boa parte da bagagem e, para completar, ainda seria o primeiro teste de uma nova rede de camping, já que pretendia passar uma noite acampado durante o 1º Moto Arraial de Bragança Paulista.
Era o tipo de viagem que exige bastante da máquina. E ela respondeu à altura.
O peso extra e uma tocada mais acelerada fizeram o consumo cair para cerca de 14 km/l. Rodando próximo das 9 mil rotações durante boa parte do trajeto, Marruá bebeu mais do que o normal, mas entregou exatamente aquilo que eu esperava: força constante e nenhuma perda de desempenho.
Depois de deixar a Fernão, fiz um pequeno desvio antes de chegar à capital.
Passei por Bragança e segui pela Rodovia Dom Pedro I até Campinas para visitar alguns amigos. Sempre que posso prefiro essas estradas secundárias, as rodovias principais cumprem sua função de levar rápido até o destino, mas são as estradas menores que revelam o Brasil que gosto de conhecer. Fazendas, morros, pequenas cidades e paisagens que dificilmente aparecem para quem vive apenas nos grandes corredores de trânsito.

Só depois segui pela Bandeirantes até São Paulo. Na capital havia dois compromissos importantes.
O primeiro era participar do Diversão Offline, um dos maiores eventos de RPG e boardgames do país. O segundo era dar um presente para Marruá.
Há algum tempo eu vinha comparando sua suspensão com a do Berg, minha antiga companheira de estrada por mais de uma década. A diferença era evidente e aproveitei a estadia para visitar meu mecânico de confiança, o Felipe, da Fabinho Motos.
Além de colocar uma suspensão completamente nova, ainda demos aquela revisão preventiva, esticando novamente a corrente antes que eu voltasse para a estrada.

Entre um compromisso e outro, aconteceu algo que tornou a viagem ainda mais especial.
Recebi o prêmio de Melhor Arte pela minha participação no livro BREU, da Editora Luz Negra.
Rever amigos, encontrar parceiros de trabalho e voltar para casa com um prêmio na mochila já seria motivo suficiente para considerar a viagem um sucesso. Mas ainda havia muita estrada pela frente.

Alguns dias depois deixei São Paulo rumo a Bragança Paulista para participar do 1º Moto Arraial da cidade. Foi ali que começou o verdadeiro perrengue da viagem.
Faltando poucos quilômetros para entrar na cidade, senti a traseira da moto balançar.
Quem pilota há algum tempo aprende a conversar com a própria máquina.
Naquele instante eu já sabia exatamente o que havia acontecido. A barra que servia de suporte do sissy bar havia quebrado novamente.
A peça nunca foi projetada para suportar o peso das minhas bagagens. Ela funciona muito bem como encosto, mas toda vez que transformo Marruá em uma pequena mula de carga, ela cobra seu preço. Parei no acostamento, redistribuí a bagagem e segui lentamente até o evento.
Mal cheguei e o pessoal do Senhores da Noite MC já apareceu disposto a ajudar.
Pouco tempo depois estávamos em uma serralheria resolvendo o problema com uma nova solda.
Problema resolvido.
Ou pelo menos era o que parecia.
O Moto Arraial foi excelente. Boa música, boas conversas e aquela sensação de comunidade que só encontros de motociclistas conseguem proporcionar.
Também era a oportunidade perfeita para testar minha nova rede.
Só havia um detalhe, a previsão indicava algo próximo de dez graus durante a madrugada. Como não havia estrutura para montar a rede dentro do galpão, fiquei do lado de fora. E, ingenuamente, achei que apenas a rede seria suficiente.
Não foi.
O sereno caiu, o frio aumentou e passei boa parte da madrugada tentando encontrar uma posição confortável que produzisse algum calor.
Foi justamente nesse esforço que a rede decidiu encerrar sua carreira.
Rasgou. Dormi pouco. Congelei bastante.
Mas aprendi duas lições importantes:
Nunca viajar sem saco de dormir.
E nunca confiar apenas na rede durante o inverno.
Mesmo assim, acordar e assistir ao sol nascer sobre as serras compensou completamente a noite mal dormida.
Existem paisagens que renovam a gente por dentro.
Aquela foi uma delas.

No fim do evento segui novamente para Campinas. E, como costumo dizer: "só tem problema de moto, quem tem moto"
Na saída de Bragança, o sissy bar quebrou outra vez. A primeira solda havia ficado bonita e na tentativa de deixar o acabamento mais limpo, a estrutura acabou ficando frágil.
Como era sábado à noite, restou esperar até segunda-feira.
Foi quando conheci o Sr. João. A nova solda não ganhou pontos pela estética mas ganhou todos pela funcionalidade. Reforçada como precisava ser, suportou toda a carga durante o restante da viagem.
Dali segui rumo a Varginha.
Pegando novamente estradas menores entre o interior paulista e o sul de Minas, encontrei algumas das paisagens mais bonitas de toda a viagem.
Cafezais intermináveis, pequenas cidades e aquele ritmo mais calmo que só o interior consegue oferecer. Passei a noite com os amigos da divisão Varginha do Insanos MC, conhecendo a sede, colocando a conversa em dia e descansando antes da última etapa.
Na manhã seguinte aproveitei para visitar o Memorial do ET.
É impossível não sorrir vendo como Varginha transformou aquela história em parte da identidade da cidade. O memorial é divertido, bem cuidado e mostra como uma boa história, independente de ser real ou não, pode se tornar patrimônio cultural.

Depois disso era hora de apontar o guidão para Belo Horizonte.
Peguei novamente as estradas secundárias cercadas por plantações de café até reencontrar a Fernão Dias, dessa vez, sem pressa.
Mantive a moto entre 7~8mil rotações e o consumo voltou aos habituais 22 km/l.
A nova suspensão transformou completamente o conforto da pilotagem. Impactos que antes terminavam diretamente na lombar agora praticamente desapareciam.
E a solda reforçada do Sr. João fez seu trabalho até o fim.
Quando entrei novamente no QG, o hodômetro marcava 1.509km percorridos.
Mais do que uma viagem entre cidades, foram 1.509km de histórias.
Agora é hora de fazer aquilo que toda moto merece depois de uma boa aventura.
Uma lavagem completa (a primeira em mais de 10mil km que estou com ela) revisar novamente Marruá e começar a planejar as estradas de agosto.

Obrigado a quem acompanhou este diário de bordo até aqui.
Agora bora meter marcha.



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